A Creditas divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026 com uma combinação que chama atenção: crescimento da operação, aumento da receita e redução proporcional das despesas.

A fintech registrou:

  • R$ 1,14 bilhão em originação no trimestre;

  • R$ 722,9 milhões em receita;

  • R$ 8,1 bilhões em portfólio gerenciado;

  • R$ 271,6 milhões em lucro bruto;

  • despesas operacionais equivalentes a 42,2% da receita;

  • receita anualizada por funcionário de R$ 1,7 milhão.

A empresa também informou que agentes autônomos de inteligência artificial já realizam 100% dos primeiros contatos por chat em casos de atraso na operação de Auto Finance, com 88% de resolução.

Além disso, a Creditas realizou sua primeira aprovação de empréstimo totalmente automatizada nessa vertical, sem revisão humana.

Os resultados são específicos da Creditas e não representam uma promessa para outras empresas. O ponto mais importante está na escolha dos processos em que a inteligência artificial foi aplicada.

A IA entrou em cobrança, aprovação, atendimento, originação e produtividade. São rotinas diretamente ligadas à receita e ao custo da operação.

Crescimento com aumento menor das despesas

A receita da Creditas cresceu 30,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 722,9 milhões.

No mesmo intervalo, as despesas operacionais aumentaram 10,1%, para R$ 305,3 milhões. Como resultado, o peso dessas despesas caiu de 50% para 42,2% da receita.

Essa relação importa porque mostra uma questão enfrentada por qualquer empresa em expansão:

Como aumentar a capacidade de atendimento e execução sem ampliar a equipe na mesma proporção?

Quando uma empresa cresce apenas adicionando pessoas, o custo tende a acompanhar cada nova venda, cliente ou contrato.

Isso pode funcionar durante algum tempo. Depois, a operação começa a exigir mais supervisão, mais conferências, mais treinamento e mais comunicação entre áreas.

A tecnologia pode ajudar a reduzir esse efeito, desde que entre em tarefas que tenham volume, regras e resultado mensurável.

Na Creditas, a inteligência artificial foi aplicada a processos que já fazem parte do funcionamento central do negócio. A empresa não usou IA apenas para produzir textos ou responder perguntas internas. Os agentes passaram a participar de atividades que influenciam cobrança, crédito e originação.

O que a Creditas automatizou

1. Primeiro contato de cobrança

Na operação de Auto Finance, os agentes de IA passaram a realizar todos os primeiros contatos por chat com clientes em atraso.

Segundo a empresa, 88% desses contatos são resolvidos pelo próprio agente.

Esse tipo de aplicação exige mais do que um chatbot conectado a um canal de atendimento. O agente precisa entender o contexto do cliente, seguir regras de cobrança, consultar informações autorizadas e registrar o resultado da interação.

Também precisa saber quando a situação exige encaminhamento para uma pessoa.

O ganho potencial aparece quando a equipe deixa de dedicar tempo às interações mais previsíveis e passa a concentrar atenção nos casos que realmente precisam de análise ou negociação.

2. Aprovação automatizada de empréstimos

A Creditas informou ter realizado a primeira aprovação de empréstimo totalmente automatizada em Auto Finance, sem revisão humana.

Uma aplicação desse tipo depende de critérios claros, dados confiáveis, regras de aprovação e controles para situações fora do padrão.

Em setores financeiros, o limite de autonomia precisa ser tratado com cuidado. Uma decisão automatizada pode acelerar o atendimento, mas também pode ampliar erros quando os dados estão incompletos ou quando as regras não foram devidamente definidas.

A automação precisa ser acompanhada por registros, permissões e capacidade de revisão. A empresa deve conseguir explicar por que determinada decisão foi tomada e qual informação foi utilizada.

3. Apoio à originação

A originação da Creditas chegou a R$ 1,14 bilhão no trimestre, um crescimento de 34,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na vertical de Auto Finance, a empresa também informou que a inteligência artificial ajudou a reativar a originação em concessionárias que estavam inativas.

Esse ponto mostra uma aplicação importante: IA pode ajudar a identificar oportunidades que já existem na base da empresa, mas que deixaram de receber atenção.

Em uma operação comercial, isso pode significar:

  • localizar oportunidades paradas;

  • identificar clientes sem contato recente;

  • apontar desvios em relação às prioridades comerciais;

  • sugerir quais contas merecem atenção;

  • preparar informações antes do contato do vendedor.

A IA pode organizar a prioridade e apoiar a execução. A decisão comercial ainda precisa respeitar as regras, o contexto e a responsabilidade da equipe.

O que empresários em crescimento podem aprender

A notícia da Creditas traz uma lição útil para empresas de diferentes setores: a adoção de IA precisa começar por uma rotina concreta.

O empresário raramente precisa de “mais IA” de forma genérica. Ele precisa responder perguntas como:

  • Onde a equipe repete o mesmo trabalho todos os dias?

  • Qual informação é copiada entre sistemas?

  • Quais atendimentos seguem regras previsíveis?

  • Onde uma decisão demora porque os dados chegam tarde?

  • Qual tarefa exige a intervenção do dono mesmo quando deveria ser executada pela equipe?

  • Qual etapa da operação limita o crescimento da receita?

  • Onde o custo aumenta sem gerar capacidade proporcional?

Essas perguntas ajudam a separar uma aplicação com potencial de uma demonstração tecnológica sem impacto prático.

A ferramenta vem depois da operação entendida

Antes de colocar um agente de IA para executar tarefas, a empresa precisa entender como o trabalho acontece.

Uma avaliação inicial deveria considerar pelo menos seis pontos.

O processo está documentado?

A equipe sabe explicar as etapas da rotina?

Se cada pessoa executa a tarefa de uma maneira diferente, o agente terá dificuldade para seguir um padrão confiável.

As regras estão registradas?

O agente precisa saber:

  • o que pode fazer;

  • o que não pode fazer;

  • em que situação deve pedir aprovação;

  • quando deve encaminhar o caso;

  • quais informações pode consultar;

  • quais ações precisam ser registradas.

Regras que existem apenas na experiência de uma pessoa não formam uma base segura para automação.

Os dados são confiáveis?

A inteligência artificial pode consultar diferentes fontes, mas isso não corrige automaticamente informações duplicadas, incompletas ou desatualizadas.

Se o cadastro de clientes tem erros, se o estoque não corresponde ao físico ou se o CRM não registra as etapas comerciais, a automação receberá uma visão fraca da operação.

Os sistemas estão conectados?

Uma empresa pode ter CRM, ERP, plataforma financeira, sistema de atendimento e planilhas.

Se esses ambientes não compartilham informações, alguém continuará copiando dados de um lugar para outro.

Integração significa fazer os sistemas trocarem informações de forma organizada, reduzindo a necessidade de copiar e colar os mesmos dados várias vezes.

Qual é o nível adequado de autonomia?

Nem toda tarefa precisa ser executada pela IA sem aprovação humana.

Em alguns processos, o agente pode agir sozinho. Em outros, pode preparar uma recomendação para uma pessoa aprovar. Também pode apenas reunir informações e indicar uma prioridade.

O nível adequado depende do risco do processo, da qualidade dos dados e do custo de um erro.

Como o resultado será medido?

Uma aplicação de IA precisa de indicadores.

Alguns exemplos são:

  • tempo de execução;

  • taxa de resolução;

  • volume de tarefas concluídas;

  • quantidade de encaminhamentos para a equipe;

  • número de erros;

  • custo por atendimento;

  • tempo até a decisão;

  • receita por funcionário;

  • retrabalho gerado depois da automação.

Sem esses indicadores, a empresa fica dependente de opiniões para decidir se a tecnologia está ajudando.

Para empresas que já percebem trabalho manual na operação Se sua equipe repete tarefas, consolida informações em planilhas ou depende de pessoas específicas para executar rotinas previsíveis, a Telora pode ajudar a mapear o processo e avaliar onde automação, integração, dados ou IA fazem sentido. Conte como esse trabalho acontece hoje e solicite uma conversa inicial sobre a operação da sua empresa.

Como identificar um bom primeiro processo

Uma empresa em crescimento pode começar por uma tarefa que reúna quatro características:

  1. acontece com frequência;

  2. segue regras relativamente claras;

  3. consome tempo da equipe;

  4. permite medir o resultado.

Alguns exemplos:

Atendimento e triagem

A IA pode classificar solicitações, consultar informações internas, identificar prioridades e encaminhar cada caso para a área adequada.

A aplicação depende de uma base de conhecimento atualizada e de regras que definam o que pode ser respondido automaticamente.

Financeiro e cobrança

Um agente pode organizar contatos, identificar atrasos, preparar informações e seguir políticas comerciais previamente definidas.

Casos fora do padrão devem ser encaminhados para uma pessoa responsável.

Área comercial

A IA pode analisar oportunidades paradas, identificar clientes sem contato recente e sugerir prioridades para a equipe.

A qualidade da recomendação depende da organização do CRM e do registro correto das etapas comerciais.

Operações

Um agente pode acompanhar pedidos, consultar status em diferentes sistemas e alertar a equipe quando houver uma divergência ou atraso.

Para isso, os sistemas precisam compartilhar dados atualizados.

Gestão interna

A IA pode reunir informações de documentos, políticas e procedimentos para orientar a equipe em dúvidas recorrentes.

A aplicação precisa respeitar permissões e indicar a origem das informações utilizadas.

Onde a Telora participa

A Telora ajuda a empresa a entender o funcionamento atual da operação antes de indicar uma solução.

O trabalho pode envolver:

  • análise dos processos existentes;

  • identificação de tarefas repetidas;

  • organização das regras de negócio;

  • avaliação dos sistemas já utilizados;

  • integração entre ferramentas;

  • estruturação de dados;

  • definição de indicadores;

  • implementação de automações;

  • aplicação de inteligência artificial em atividades específicas;

  • acompanhamento do uso e dos resultados.

O Telos DS faz parte dessa visão como um produto da Telora que conecta ferramentas, conhecimento e agentes de inteligência artificial à operação da empresa.

Na prática, isso significa aproximar a IA do trabalho que a equipe já executa, com regras, informações e permissões definidas pela empresa.

A solução adequada pode ser um agente autônomo. Também pode ser uma integração, um painel, uma automação simples ou a organização de uma base de conhecimento.

A decisão depende do processo.

Um roteiro para avaliar a oportunidade

Antes de investir em uma aplicação de IA, responda:

  • Qual processo será analisado?

  • Quantas vezes ele acontece?

  • Quem executa a tarefa hoje?

  • Quanto tempo é gasto nessa rotina?

  • Quais informações são necessárias?

  • Onde essas informações estão armazenadas?

  • Quais sistemas participam do processo?

  • Quais regras orientam as decisões?

  • O que a IA poderá fazer sozinha?

  • Em quais situações uma pessoa deverá revisar?

  • Qual erro seria grave para a empresa?

  • Como o resultado será medido?

  • Quem acompanhará o funcionamento depois da implementação?

Se essas respostas ainda não existem, o próximo passo pode ser organizar a operação antes de automatizar.

A principal lição do resultado da Creditas

A Creditas mostra que a inteligência artificial pode participar de atividades diretamente ligadas ao crescimento e à eficiência da empresa.

No segundo trimestre de 2026, a fintech combinou aumento da originação e da receita com redução do peso das despesas operacionais. Também aplicou agentes de IA em cobrança e realizou uma aprovação de crédito totalmente automatizada em uma de suas verticais.

O aprendizado para outros empresários não é copiar a solução da Creditas.

É observar a própria empresa e encontrar uma rotina que tenha volume, regras, dados e impacto mensurável.

A inteligência artificial pode aumentar a capacidade de uma operação, mas o resultado depende da estrutura que existe por trás dela.

Processos definidos, sistemas conectados, informações confiáveis e responsabilidades claras formam a base para que a IA execute trabalho de verdade.

Sua empresa já sabe onde a IA poderia executar uma tarefa? Conte como sua operação funciona hoje. A Telora pode ajudar a avaliar onde existe oportunidade para reduzir trabalho manual, melhorar decisões ou diminuir a dependência de pessoas específicas. Solicite uma conversa sobre a operação da sua empresa.

Sobre

Telora existe pra resolver um problema que ninguém quer admitir: a maioria das empresas tem acesso a IA, mas não consegue usar IA de verdade na operação.

Consultores prometem transformação digital. Empresas compram ferramentas soltas. No final, continuam com prompts copiados manualmente, arquivos espalhados, nenhuma governança, sem escala.

A gente acredita que IA não é um projeto entregue por consultores. É uma camada operacional que roda dentro do seu negócio, todo dia, com contexto, permissões, automações e custos sob controle.

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